Sunday, September 6

 
Na época em que escrevi O teatro e seu espaço, aqueles que buscavam um "teatro popular" acreditavam que tudo que fosse "para o povo" era automaticamente vital, em contraposição a algo que não tinha vitalidade, denominado "teatro de elite". Ao mesmo tempo, os da "elite" achavam que tinham o privilégio de participar de uma seriíssima aventura intelectual, que se contrapunha totalmente ao bombástico e débil "teatro comercial". Já os que trabalhavam nos "grandes textos clássicos" estavam convencidos de que a "alta cultura" injeta nas veias da sociedade uma qualidade muito superior à adrenalina chula da comédia vulgar. Com o passar dos anos, no entanto, a experiência me ensinou que tudo isso é falso, e que o bom espaço é aquele para o qual convergem muitas energias diferentes, e onde todas essas categorias desaparecem.
— Peter Brook

Friday, July 24

 

 
Eles não me ouviram e muito menos as batidas de meu coração. Nem mesmo me viram, pois agarravam-se, grunhiam, chupavam-se, seus corpos nus resvalavam, seus braços e pernas se entrelaçavam e eles pareciam um emaranhado de serpentes brancas que contorciam seus alvos corpos à luz do luar. O cobertor sobre o qual se deitavam estava todo amarfanhado e eles se arranhavam, gemiam e suspiravam. Vi então o rosto de meu pai. Era idêntico ao semblante do diabo em cima da porta da cabana. Dei as costas e saí correndo.
— John Fante, A Oeste de Roma

Thursday, July 23

 
...it suddenly occurred to me that the songs aren't just stuff that's written on a bit of paper or put on a record. What if a song is like a person? Like a song might have some sort of — talking in a fanciful way — it might have a store of kinetic energy of a kind that we can't, that we haven't managed to quantify or identify. And it felt to me, like when we play "White Man in Hammersmith Palais", it plays itself. It wants to be played.
Occasionally I'll wake up in the night and think of a song that I've forgotten all about. It's almost like people ringing you up. I know it sounds ridiculous. It's part of your life — it's part of my life — some guy working on this block might've heard it. Imagine if on some level, like a world wide web of feelings. A lot of people kissed and smoked and danced — had their first experiences of the adult world to these songs. And they're really potent in a psychic — I mean I don't know nothing about this world — but I feel that they demand to be played. And I'm more than happy to play them.

Joe Strummer

Saturday, November 1

 
...mesmo ao escrever sobre um filme como Terra sem pão, de Buñuel, que é uma documentação mordaz da condição material de uma população específica (os habitantes do vale de Las Hurdes) em um país específico (Espanha), sob uma coligação específica de classes prevalentes (da burguesia e da Igreja Católica), tudo isso apresentado com amarga ênfase no próprio filme, Bazin ainda consegue varrer a poeira material para debaixo do tapete tão rapidamente que é difícil saber o que foi visto, e escapar de forma imediata para as poeiras mais edificantes do paraíso.
Foi observado que, em seu artigo sobre Terra sem pão, Bazin nem sequer menciona as palavras "classe", "explorada", "rico", "capitalismo", "propriedade", "proletariado", "burguesia", "ordem", "dinheiro", "lucro" etc. E quais são as palavras que encontramos em seu lugar? Expressões grandiosas, conceitos abrangentes e generosos que são a matéria-prima de uma extensa tradição do idealismo humanista burguês — como "consciência", "salvação", "tristeza", "pureza", "integridade", "crueldade objetiva do mundo", "verdade transcendental", "crueldade da condição humana", "infelicidade", "a crueldade na Criação", "destino", "horror", "piedade", "Madona", "miséria humana", "obscenidade cirúrgica", "amor", "dialética pascaliana" (tinha de ser pascaliana!), "toda beleza de uma Pietà espanhola", "nobreza e harmonia", "presença do belo no atroz", "um infernal paraíso terrestre" etc. etc.

— James Roy MacBean
 

Sunday, July 13

 
...é essa desconfiança [em relação à literatura] que está no cerne de Graciliano. Nenhuma forma de arte consegue repor no mundo aquilo de que ele nos privou. Se o faz, é pelo caminho da imaginação (que requer alguma dose de esperança) ou pela explicitação da falta. Como lemos a partir do presente, um autor que nos fala sempre do aniquilamento, que escreve na linguagem austera da rasura, atinge o coração de seu tempo.
— Manuel da Costa Pinto

Monday, June 2

 
O seu trabalho está se tornando mais cínico com o tempo? — Pode ser, mas sabe por quê? Porque hoje a sociedade aprendeu a lidar com a agressão. A sociedade sempre teve muito medo do artista, que a agredia muitas vezes diretamente. Como foi que ela aprendeu a lidar com isso? Consumindo. No momento em que eu consumo, você pode me agredir à vontade porque eu não sinto mais os seus tapas. Então a sociedade fica consumindo você o tempo todo. Você grita alto, esperneia, e nada faz a mínima diferença. Eu não tenho mais como sair da leitura que se faz do meu trabalho. Se eu fizer um monte de lixo, se eu quebrar toda a minha obra, não adianta. Quando a leitura já está dada, você simplesmente tem que voltar àquilo que importa: a intuição. Só.
— Nelson Leirner

Tuesday, March 11

 

Thursday, January 31

 
...a adesão ao gênero é aqui mais do que um simples mecanismo de mercado, mas uma adequação a um projeto de filme-acontecimento, de estranho fenômeno catártico no qual a sociedade se reconhece pelas suas contradições e tenta tatear soluções, ora pela adesão ensandecida (absurdo olhar para o filme como a construção positivante de um herói), ora pela recusa através do asco (a facilidade de termos como "fascista", etc.).
Ruy Gardnier

Friday, January 11

 
Things are not the way they used to be
One and all got to face reality now

"Natural Mystic", Bob Marley

Wednesday, December 26

 
Fatos recentes fazem com que pensemos sobre nossos atos. Estaremos fazendo as coisas como se deve?
— MZK

Wednesday, November 28

 


Martin Munkacsi, foto publicada em 1935 na Harper's Bazaar.
 
A brother with no color 'cause all I see is gray
If you knew who you were this road you would not play

"Knowledge Of Self", Us3

Se soubessem o valor que a nossa raça tem
Tingiam a palma da mão pra ser escura também

"Júri Racional", Racionais MC's

Saturday, September 22

 
On your breast
I might lay my crowded head
In your light
I might bathe in cold burnt sweat
In your mouth
I might feel the serpent's kiss
In your womb
I might swim in fetal bliss

But in your heart, I'd freeze

"Cold Bitch", Soundgarden

Thursday, August 23

 
What have we learned, which lessons won't stick?
Tracing the edges of wisdom and shit

"Knowing How The World Works", Les Savy Fav

Wednesday, August 8

 
Le cinéma d'avant-garde constitue un laboratoire mais aussi un conservatoire, en ce qu'il préserve des idéaux esthétiques pour la plupart institués au siècle des Lumières, à commencer par les dynamiques de novation, d'originalité, de critique et de responsabilité politique de l'art, qui restent bien étrangères au cinéma de grande consommation.
— Nicole Brenez

Tuesday, August 7

 


Une autre forme de cinéma utopiste concerne l'organisation du tournage. Le temps d'une création, une communauté humaine élabore des règles de fonctionnement qui refusent la division du travail, la hiérarchie, les conventions.
— Nicole Brenez
 
Time was, in a so-called classical tradition of cinema, when the preparation of a film meant first of all finding a good story, developing it, scripting it and writing dialogue; with that done, you found actors who suited the characters and then you shot it. This is something I've done twice, with Paris nous appartient [1960] and La Religieuse [1966], and I found the method totally unsatisfying.... What I have tried since — after many others, following the precedents of Rouch, Godard and so on — is to attempt to find, alone or in company..., a generating principle which will then, as though on its own (I stress the "as though"), develop in an autonomous manner and engender a filmic product from which, afterwards, a film...can be cut, or rather "produced".
— Jacques Rivette

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