Saturday, November 1

 
...mesmo ao escrever sobre um filme como Terra sem pão, de Buñuel, que é uma documentação mordaz da condição material de uma população específica (os habitantes do vale de Las Hurdes) em um país específico (Espanha), sob uma coligação específica de classes prevalentes (da burguesia e da Igreja Católica), tudo isso apresentado com amarga ênfase no próprio filme, Bazin ainda consegue varrer a poeira material para debaixo do tapete tão rapidamente que é difícil saber o que foi visto, e escapar de forma imediata para as poeiras mais edificantes do paraíso.
Foi observado que, em seu artigo sobre Terra sem pão, Bazin nem sequer menciona as palavras "classe", "explorada", "rico", "capitalismo", "propriedade", "proletariado", "burguesia", "ordem", "dinheiro", "lucro" etc. E quais são as palavras que encontramos em seu lugar? Expressões grandiosas, conceitos abrangentes e generosos que são a matéria-prima de uma extensa tradição do idealismo humanista burguês — como "consciência", "salvação", "tristeza", "pureza", "integridade", "crueldade objetiva do mundo", "verdade transcendental", "crueldade da condição humana", "infelicidade", "a crueldade na Criação", "destino", "horror", "piedade", "Madona", "miséria humana", "obscenidade cirúrgica", "amor", "dialética pascaliana" (tinha de ser pascaliana!), "toda beleza de uma Pietà espanhola", "nobreza e harmonia", "presença do belo no atroz", "um infernal paraíso terrestre" etc. etc.

— James Roy MacBean
 

Sunday, July 13

 
...é essa desconfiança [em relação à literatura] que está no cerne de Graciliano. Nenhuma forma de arte consegue repor no mundo aquilo de que ele nos privou. Se o faz, é pelo caminho da imaginação (que requer alguma dose de esperança) ou pela explicitação da falta. Como lemos a partir do presente, um autor que nos fala sempre do aniquilamento, que escreve na linguagem austera da rasura, atinge o coração de seu tempo.
— Manuel da Costa Pinto

Monday, June 2

 
O seu trabalho está se tornando mais cínico com o tempo? — Pode ser, mas sabe por quê? Porque hoje a sociedade aprendeu a lidar com a agressão. A sociedade sempre teve muito medo do artista, que a agredia muitas vezes diretamente. Como foi que ela aprendeu a lidar com isso? Consumindo. No momento em que eu consumo, você pode me agredir à vontade porque eu não sinto mais os seus tapas. Então a sociedade fica consumindo você o tempo todo. Você grita alto, esperneia, e nada faz a mínima diferença. Eu não tenho mais como sair da leitura que se faz do meu trabalho. Se eu fizer um monte de lixo, se eu quebrar toda a minha obra, não adianta. Quando a leitura já está dada, você simplesmente tem que voltar àquilo que importa: a intuição. Só.
— Nelson Leirner

Tuesday, March 11

 

Thursday, January 31

 
...a adesão ao gênero é aqui mais do que um simples mecanismo de mercado, mas uma adequação a um projeto de filme-acontecimento, de estranho fenômeno catártico no qual a sociedade se reconhece pelas suas contradições e tenta tatear soluções, ora pela adesão ensandecida (absurdo olhar para o filme como a construção positivante de um herói), ora pela recusa através do asco (a facilidade de termos como "fascista", etc.).
Ruy Gardnier

Friday, January 11

 
Things are not the way they used to be
One and all got to face reality now

"Natural Mystic", Bob Marley

Wednesday, December 26

 
Fatos recentes fazem com que pensemos sobre nossos atos. Estaremos fazendo as coisas como se deve?
— MZK

Wednesday, November 28

 


Martin Munkacsi, foto publicada em 1935 na Harper's Bazaar.
 
A brother with no color 'cause all I see is gray
If you knew who you were this road you would not play

"Knowledge Of Self", Us3

Se soubessem o valor que a nossa raça tem
Tingiam a palma da mão pra ser escura também

"Júri Racional", Racionais MC's

Saturday, September 22

 
On your breast
I might lay my crowded head
In your light
I might bathe in cold burnt sweat
In your mouth
I might feel the serpent's kiss
In your womb
I might swim in fetal bliss

But in your heart, I'd freeze

"Cold Bitch", Soundgarden

Thursday, August 23

 
What have we learned, which lessons won't stick?
Tracing the edges of wisdom and shit

"Knowing How The World Works", Les Savy Fav

Wednesday, August 8

 
Le cinéma d'avant-garde constitue un laboratoire mais aussi un conservatoire, en ce qu'il préserve des idéaux esthétiques pour la plupart institués au siècle des Lumières, à commencer par les dynamiques de novation, d'originalité, de critique et de responsabilité politique de l'art, qui restent bien étrangères au cinéma de grande consommation.
— Nicole Brenez

Tuesday, August 7

 


Une autre forme de cinéma utopiste concerne l'organisation du tournage. Le temps d'une création, une communauté humaine élabore des règles de fonctionnement qui refusent la division du travail, la hiérarchie, les conventions.
— Nicole Brenez
 
Time was, in a so-called classical tradition of cinema, when the preparation of a film meant first of all finding a good story, developing it, scripting it and writing dialogue; with that done, you found actors who suited the characters and then you shot it. This is something I've done twice, with Paris nous appartient [1960] and La Religieuse [1966], and I found the method totally unsatisfying.... What I have tried since — after many others, following the precedents of Rouch, Godard and so on — is to attempt to find, alone or in company..., a generating principle which will then, as though on its own (I stress the "as though"), develop in an autonomous manner and engender a filmic product from which, afterwards, a film...can be cut, or rather "produced".
— Jacques Rivette

Monday, July 2

 
Cut me down like the trees
Like the lumber or weeds
Drink me out of the sea
And then teach me to breathe
Give me forests half dead
I wish death on myself
Give me forests so dead
I wish death on myself

"March Into The Sea", Modest Mouse

Saturday, May 19

 

Saturday, May 12

 
...erotic lust devours the desired one like a vampire's kiss, reduces the body of the Other to something less than a 'human personality', and yet something more than an everyday lover.
Adrian Martin
 
The slightest lack in the other's desire is developed to the point of catastrophe, opening a fissure in the couple's fusion and triggering a deluge of scenarios of death and abandonment into which the characters dive. Whether on the plane of morality (The Funeral) or emotion (The Blackout), Ferrara's characters cannot live if not in a state of amour fou.
— Nicole Brenez

This page is powered by Blogger. Isn't yours?